Instituto de Cinema de SP

Presidente da Ancine conta sua trajetória no audiovisual e dificuldades que enfrenta atualmente

PRIMEIROS PASSOS
Débora contou que no início, eram apenas ela e seus dois sócios, Caio e Fabiano Gullane os responsáveis por absolutamente todas as atividades na produtora. Com simplicidade e descontração, rememorou as dificuldades. De pintar a fachada da casa ao lado da alugada pela Gullane a fim de parecer maior, até colocar o próprio carro como garantia de dívidas.

DICA AOS INICIANTES: ORGANIZAÇÃO
Ivanov deu sua dica a quem quer crescer na área: “você não precisa ganhar todos os editais, mas você DEVE se inscrever em TODOS os editais”. Isso demanda bastante organização. “Veja em quais épocas do ano costumam ser lançados cada um dos editais nos quais você pode se inscrever e estude todos os tipos deles, para entender as particularidades de cada um”  indicou Debora. Ela ressaltou que não adianta inscrever o mesmo projeto em todos os editais, porque é preciso entender o que cada chamada pede e adequar-se a ela.

QUESTÕES DE GÊNERO
Uma das pautas de sua gestão na Ancine é a desigualdade de gênero nas produções audiovisuais brasileiras. Débora trouxe dados do SAD – Sistema Digital da Ancine, selecionando como amostra as 2.583 obras (para TV paga, salas de cinema, TV aberta e outras mídias) registradas em 2016. Dessa amostra, apenas 17% das obras foi dirigida por mulheres. No roteiro, a participação é de 21%; na produção executiva, de 41% e na direção de arte, 58%. A disparidade é assustadora principalmente na direção de fotografia, cuja apenas 8% das obras tiveram a assinatura de mulheres.

Debora chama ainda a atenção para a intersecção entre gênero e raça. Ainda que estes dados não adentrem a questão de raça, a presidente da Ancine declarou não ser representativa da população a quantidade de mulheres negras participantes das produções audiovisuais e que, uma vez reconhecido isso, todas e todos devemos nos empenhar na construção de um mercado pluralista.

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