Instituto de Cinema de SP

Golden Globe 2018: “Três anúncios para um crime” impressiona e “Big Little Lies” confirma favoritismo e fatura 4 prêmios.

A cerimonia do globo de ouro aconteceu nesse domingo, dia sete de janeiro, e foi marcada por discursos contundentes contra o assédio sexual e busca da igualdade de gênero em Hollywood. A noite foi dominada pelas mulheres, lideradas por um dos discursos mais influentes e implacáveis já feitos na história do prêmio, o discurso de Oprah Winfrey.
    Oprah em um dos discursos mais icônicos da história do Globo de Ouro promoveu a luta das mulheres, estendendo sua força na batalha contra o assédio sexual e o racismo. Atrelado a isto, a apresentadora e atriz cultuou o ator Sidney Potier, o primeiro negro a ganhar o Oscar de melhor ator, e contou como foi para ela vivenciar esse fato, ainda menina. Contou também como foi passar por uma infância difícil, onde sua mãe era empregada doméstica e passava os dias trabalhando fora. Assistir ao maior prêmio do cinema e só ver uma pessoa negra, e pela primeira vez, ver pessoas celebrando e premiando um negro, foi inspirador. Além disso, Oprah citou que é a primeira mulher negra a ganhar o prêmio Cecil B. Demille em Hollywood e que o que mais interessa para ela nessa honraria, é imaginar que há outras meninas, como ela anos atrás, que vão se inspirar na história da apresentadora. Oprah agradeceu a todos os homens e mulheres que a inspiraram e a desafiaram ao longo de uma carreira repleta de sucessos e agradeceu a imprensa, pois mesmo sabendo do cerco pelo qual os veículos de comunicação passam, há a devida dedicação para não alienar a população sobre a corrupção e injustiça. Durante os agradecimentos, Oprah começou um discurso encorajador sobre as mulheres dizendo que:  “Todas nós somos celebradas pelas histórias que contamos, e nesse ano, nós nos tornamos a história”, e complementou dizendo que “Mas não apenas uma história afetando a indústria do entretenimento, e sim uma história que transcende cultura, geografia, raça, religião e politica”. A homenageada criticou uma cultura brutalizada por homens no poder contando a história de Recy Taylor, que em 1944, saindo da igreja foi abordada por seis homens brancos armados, que a estupraram e a deixaram na sarjeta na calçada ao lado da rua. Recy ainda foi ameaçada de morte caso ela contasse a alguém, porém ela buscou justiça pelo acontecido, mesmo chegando aos culpados, eles nunca foram devidamente penalizados e Recy Taylor morreu na véspera de fim de ano. Oprah usou esse exemplo para potencializar seu discurso, “Nós vivemos muito tempo sendo descreditadas e por aqueles homens, mas o tempo deles acabou”. Finalmente, ela falou sobre os sentimentos e emoções que homens e mulheres compartilham, mas que principalmente todos esperam por um futuro melhor, e esse futuro será conduzido por mulheres incríveis e alguns homens fenomenais lutando para viver em um futuro aonde ninguém terá que dizer “eu também” de novo.
   
A potência com que Oprah se dedicou ao movimento e o movimento em si, indispensável nos dias de hoje, movimentaram por completo a cerimonia. No entanto, se tratava do Globo de Ouro e a premiação foi bem conduzida por Seth Mayers.


Nós listamos abaixo os principais destaques e os ganhadores do Globo de Ouro 2018.


    Entre os prêmios de atuação, Gary Oldman levou o prêmio em cima das feras Daniel Day-Lewis, Tom Hanks, Denzel Washington e Timothée Chalamet, pelo filme “O destino de uma nação”, aonde interpretou Winston Churchill de forma quase incognoscível. Entre as mulheres destaque para Frances Mcdormand por sua interpretação intensa na pele de Mildred Hayes, inconformada com a ineficácia da policia em encontrar o culpado pelo assassinato de sua filha. Frances destacou-se no meio de grandes atrizes como Meryl Streep (9 vezes premiada no globo de ouro) e Sally Hawkins, super elogiada pelo papel em “Shape of Water”.
    Ainda em atuação, James Franco faturou o prêmio de melhor ator em filme de comédia/musical pelo filme “Artista do desastre” no qual também roteirizou e dirigiu. Para a mulheres, Saoirse Ronan de apenas 23 anos levou o prêmio por “Lady Bird: é hora de voar” dirigida incrivelmente bem por Greta Gerwig, a atriz, roteirista e diretora mais badalada do momento, que claramente merecia emplacar-se entre os prêmios de direção.
    Uma das premiações mais esperadas era a de direção, contanto com alguns dos maiores diretores de Hollywood, a disputa era no mínimo acirrada, porém, Guilhermo Del Toro conseguiu o prêmio sobre Spielberg, Ridley Scott, Christopher Nolan e Martin Mcdonagh. Em seu discurso, Del Toro contou que trabalha há 25 anos nos seus projetos de monstros, dizendo que os mesmos são “defeitos do ser humano” e que finalmente está conseguindo idealizar suas histórias como sempre desejou, e até ultrapassou o tempo dos agradecimentos para gratificar toda a equipe e elenco que auxiliaram para a confecção dessa obra filosófica e sobrenatural. 
    Contrariando alguns críticos, Martin Mcdonagh levou o prêmio de melhor roteiro por “Três anúncios para um crime”, em disputa direta com Del Toro e o fantástico “A forma da água”, Mcdonagh roteirizou e dirigiu um dos filmes mais críticos do prêmio, lidando com temas como ineficácia da polícia, assassinato e até a onde a justiça não torna-se vingança, violência e o impacto de outdoors em uma cidade interiorizada.
    Na categoria ‘televisão’, “The Handmaid’s Tale” protagonizou, levando o prêmio de melhor série de drama sobre as lideres de popularidade “Stranger Things” e “Game of Thrones”. Além disso “Big Little Lies” faturou 4 de suas 6 indicações, com destaque aos prêmios de “Melhor série de Drama” e “Melhor série limitada ou filme para TV”.
    Finalmente, o prêmio mais aguardado da noite de “Melhor filme de drama” foi para “Três anúncios para um crime”, despontando como filme mais premiado da noite e fechando a premiação com 4 globos. Martin Mcdonagh pode não ter sido vangloriado como melhor diretor, mas levou para casa as estatuetas de Melhor Roteiro Original e Melhor filme de Drama, superando “A forma da agua”, “The Post”, “Dunkirk” e “Me chame pelo seu nome”.
Globo de ouro 2018, Vencedores:

Cinema
Melhor filme dramático: Três Anúncios para um Crime
Melhor filme cômico ou musical: Lady Bird: É Hora de Voar
Melhor diretor: Guillermo Del Toro – A Forma da Água
Melhor ator – drama: Gary Oldman – O Destino de uma Nação

Melhor ator – comédia ou musical: James Franco – O Artista do Desastre
Melhor atriz – drama: Frances McDormand – Três Anúncios para um Crime
Melhor atriz – comédia ou musical: Saorsie Ronan – Lady Bird: É Hora de Voar
Melhor ator coadjuvante: Sam Rockwell – Três Anúncios para um Crime
Melhor atriz coadjuvante: Alisson Jenney – Eu, Tonya
Melhor roteiro: Três Anúncios para um Crime
Melhor trilha sonora: A Forma da Água
Melhor canção original: This is Me – O Rei do Show
Melhor animação: Viva: A Vida É uma Festa
Melhor filme estrangeiro: Em Pedaços (Alemanha/França)
 
Televisão
Melhor série dramática: The Handmaid’s Tale
Melhor série cômica: The Marvelous Mrs. Maisel
Melhor minissérie ou filme para TV: Big Little Lies
Ator em série dramática: Sterling K. Brown – This is Us
Ator em série cômica: Aziz Ansari – Master of None
Atriz em série dramática: Elisabeth Moss – The Handmaid’s Tale
Atriz em série cômica ou musical: Rachel Brosnahan – The Marvelous Mrs. Maisel
Ator em minissérie ou filme para TV: Ewan McGregor – Fargo
Atriz em minissérie ou filme para TV: Nicole Kidman – Big Little Lies
Ator coadjuvante em TV: Alexander Skarsgard – Big Little Lies
Atriz coadjuvante em TV: Laura Dern – Big Little Lies

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